Partidos concordaram em todos os pontos, com exceção dos cortes propostos nas pensões.
No "Ópera Mundi"
Thassio Borges
Após uma noite de negociações, os líderes dos partidos políticos que apóiam o governo grego – social-democratas, conservadores e extrema-direita – não chegaram a um consenso a respeito do acordo com a troika, que permitiria um novo empréstimo ao país.
O debate entre os líderes durou mais de oito horas e os partidos concordaram em todos os pontos, com exceção dos cortes propostos nas pensões. Para que o pacote financeiro de assistência à Grécia fosse liberado, a troika – formada por FMI (Fundo Monetário Internacional), UE (União Europeia) e BCE (Banco Central Europeu) – exige que o país faça cortes de 20% em aposentadorias acima de 1 mil euros e uma substancial diminuição dos complementos que superem 150 euros em todas as pensões.
"Não posso em uma hora tomar uma decisão que condicionará o futuro do povo durante 40, 50 anos", afirmou Giorgos Karatzaferis, líder do partido ultradireitista LAOS. O político foi o primeiro a deixar a reunião e cobrou garantias para que o acordo fosse aceito.
"Quero, antes de tomar qualquer decisão, ter garantias do Banco da Grécia, do Conselho de Contas e do Conselho Legal do Estado, de que essas medidas serão suficientes para sair da crise, estão de acordo com a Constituição e que não haverá necessidade de novas ações", completou.
Os líderes gregos concordaram com a exigência de corte de 20 a 25% no salário mínimo, mas não precisaram o novo valor. Além disso, aceitaram o polêmico ponto que também previa a demissão de 15 mil servidores públicos com contrato temporário, cortes dos salários em empresas públicas e privatização imediata das mesmas.
Logo após o término da reunião entre os líderes, imagens das emissoras locais mostraram imagens da delegação da troika entrando na Mansão Maximus, sede do governo.
O grupo foi notificado sobre a falta de um consenso a respeito do acordo e a nova reunião teve fim às 6h locais (2h de Brasília). A troika deu mais 15 dias para que a Grécia apresente um plano de austeridade, que inclua a questão dos cortes nas pensões. Nesta quinta-feira (08), o Eurogrupo realiza uma reunião com o objetivo de analisar a situação grega.
“Disso depende a identidade europeia da Grécia e a permanência do país na zona do euro. É tempo de todos assumirem suas responsabilidades. Não há espaço para outras considerações”, analisou o ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, que irá ao encontro.
Sem o acordo, a Grécia não receberá o novo empréstimo de 130 bilhões de euros e não terá sua dívida com bancos privados perdoada.
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