quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Após longa reunião, Grécia não chega a consenso sobre acordo com a troika

Partidos concordaram em todos os pontos, com exceção dos cortes propostos nas pensões.

No "Ópera Mundi"
Thassio Borges

Após uma noite de negociações, os líderes dos partidos políticos que apóiam o governo grego – social-democratas, conservadores e extrema-direita – não chegaram a um consenso a respeito do acordo com a troika, que permitiria um novo empréstimo ao país.

O debate entre os líderes durou mais de oito horas e os partidos concordaram em todos os pontos, com exceção dos cortes propostos nas pensões. Para que o pacote financeiro de assistência à Grécia fosse liberado, a troika – formada por FMI (Fundo Monetário Internacional), UE (União Europeia) e BCE (Banco Central Europeu) – exige que o país faça cortes de 20% em aposentadorias acima de 1 mil euros e uma substancial diminuição dos complementos que superem 150 euros em todas as pensões.

"Não posso em uma hora tomar uma decisão que condicionará o futuro do povo durante 40, 50 anos", afirmou Giorgos Karatzaferis, líder do partido ultradireitista LAOS. O político foi o primeiro a deixar a reunião e cobrou garantias para que o acordo fosse aceito.

"Quero, antes de tomar qualquer decisão, ter garantias do Banco da Grécia, do Conselho de Contas e do Conselho Legal do Estado, de que essas medidas serão suficientes para sair da crise, estão de acordo com a Constituição e que não haverá necessidade de novas ações", completou.

Os líderes gregos concordaram com a exigência de corte de 20 a 25% no salário mínimo, mas não precisaram o novo valor. Além disso, aceitaram o polêmico ponto que também previa a demissão de 15 mil servidores públicos com contrato temporário, cortes dos salários em empresas públicas e privatização imediata das mesmas.

Logo após o término da reunião entre os líderes, imagens das emissoras locais mostraram imagens da delegação da troika entrando na Mansão Maximus, sede do governo.

O grupo foi notificado sobre a falta de um consenso a respeito do acordo e a nova reunião teve fim às 6h locais (2h de Brasília). A troika deu mais 15 dias para que a Grécia apresente um plano de austeridade, que inclua a questão dos cortes nas pensões. Nesta quinta-feira (08), o Eurogrupo realiza uma reunião com o objetivo de analisar a situação grega.

“Disso depende a identidade europeia da Grécia e a permanência do país na zona do euro. É tempo de todos assumirem suas responsabilidades. Não há espaço para outras considerações”, analisou o ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, que irá ao encontro.

Sem o acordo, a Grécia não receberá o novo empréstimo de 130 bilhões de euros e não terá sua dívida com bancos privados perdoada.

0 comentários:

Postar um comentário