Nova política de privacidade do gigante Google levanta a polêmica: estariam os usuários abrindo mão da privacidade em nome do monitoramento virtual 24 horas por qualquer destino na Internet?
No "Jornal O Povo"
Com Agências
Faltam apenas 21 dias para uma parte considerável dos internautas mudar - e muito - a maneira como se relaciona com alguns dos sites mais acessados do planeta. Caso você realize buscas através do Google, compartilhe fotos no Picasa ou tenha conta no YouTube, por exemplo, este é um assunto que lhe diz respeito diretamente. É que no primeiro dia de março, o Google começa a praticar sua nova política de privacidade para os usuários. E aonde isto resultará é a pergunta que não quer calar nos “ciberdebates” da vez.
De acordo com o comunicado oficial do Google, a mudança apenas deixa claro o modo como ele está usando suas informações e como você pode proteger sua privacidade (fechando sua Google Acounts, claro!). Além disso, a empresa explica que a novidade explicita quais informações coleta e por que as coleta e como essas informações são usadas; além de apontar as opções que o Google oferece para que você mantenha sua privacidade sob total controle.
O problema é que há quem veja na nova política de privacidade justamente o oposto do que o nome promete. Para parlamentares europeus e norte-americanos e especialistas da indústria 2.0, o que o Google anuncia é justamente o fim da privacidade de seus usuários.
O principal diferencial desta mudança anunciada é a unificação de todas as políticas de privacidade do Google - que eram mais de 60. A partir de março, com apenas um “Eu concordo” do usuário, o Google terá o aval para coletar e reunir todas as informações do internauta que acesse seus serviços. “Coletamos informações para fornecer serviços melhores a todos nossos usuários – desde descobrir coisas básicas, como o idioma que você fala, até coisas mais complexas, como os anúncios que você achará mais úteis ou as pessoas online que são mais importantes para você”.
Na prática, isso implicará uma espécie de monitoramento integral do comportamento do usuário (inclusive em sites que não sejam do Google, mas que tenham o botão +1). E isso não é terrorismo da concorrência. Em seu anúncio oficial, no tópico “Informações de registro” , o Google admite que “quando você usa nossos serviços ou visualiza conteúdo fornecido pelo Google, podemos coletar e armazenar automaticamente determinadas informações em registros do servidor. Isso pode incluir:
- Detalhes de como você usou nosso serviço, como suas consultas de pesquisa.
- Informações de registro de telefonia, como o número de seu telefone, número de quem chama, números de encaminhamentos, horário e data de chamadas, duração, informações de identificador de SMS e tipos de chamadas.
- Endereço de protocolo de Internet.
- Informações de evento de dispositivo como problemas, atividade de sistema, configurações de hardware, tipo de navegador, idioma do navegador, data e horário de sua solicitação e URL de referência”.
Para o Google, essa ação conjunta permitirá benefícios para seus usuários. Se um deles escrever sobre Madonna no Gmail, por exemplo, quando acessar o YouTube, a cantora e atriz terá seus vídeos em evidência para ele, assim como caso ele faça uma busca no Goggle e digite apenas a letra M, a primeira palavra a ser completada será o nome da moça em questão.
Suspensão
E é aí que a confusão se dá. A União Europeia já pediu ao Google que não execute a nova política antes que ela analise o efeito sobre os usuários.
Em carta enviada a Larry Page, o chefe executivo do Google, Jacob Kohnstamm, presidente-executivo do Article 29, pediu um esforço conjunto para analisar o impacto sobre os usuários. O Article 29 é um grupo que auxilia a UE em assuntos sobre proteção de dados.
O Google refutou adiar a operação, dizendo já ter avisado os usuários sobre a nova política. E argumentou que nenhum deles expressou substancial preocupação até agora.
Por outro lado, congressistas norte-americanos também querem saber se estas alterações violam a privacidade do usuário. Os legisladores querem saber o quanto as informações dos consumidores do Google passarão a ser rastreadas.

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