No "Jornal O Povo"
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| Ricardo Teixeira não deve suportar até o fim da semana no comando da CBF |
A dinastia Teixeira pode chegar ao fim hoje, após 23 anos de poder ininterrupto à frente da Confederação Brasileira d Futebol (CBF). Pressionado por denúncias de corrupção, o presidente da entidade está enfraquecido no cargo. E a renúncia parece questão de tempo.
Segundo o jornalista Ancelmo Gois, colunista do O Globo, Ricardo Teixeira vai deixar hoje a entidade, comandada por ele desde janeiro de 1989. A saída da CBF virá também com o afastamento do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL). Tudo será comunicado, segundo fontes da confederação, apenas em breve nota no site oficial.
Em dezembro, Ricardo Teixeira já havia pedido licença dos cargos tanto na CBF quanto no COL, num claro sinal de que a falta de diálogo com a Fifa e com a presidenta Dilma Rousseff balançara o dirigente no cargo.
Outra prova pública de falta de força veio quando Teixeira resolveu colocar o ex-jogador Ronaldo como um dos diretores do COL. Foi a forma que ele encontrou para melhorar o “rosto” do comitê e, de quebrar, ganhar um escudo.
Reunião no Rio
As 27 federações de futebol do País estão sendo sondadas para uma reunião de emergência na sede da CBF, no Rio da Janeiro. Em pauta, uma possível passagem de bastão de Ricardo Teixeira para o seu sucessor (leia texto ao lado).
Mauro Carmélio, presidente da Federação Cearense de Futebol (FCF), confirmou que na terça-feira recebeu uma ligação da entidade. Mas o encontrou não foi agendado.
Ontem, Ricardo Teixeira teve uma reunião com a cúpula da CBF. O local escolhido foi a própria casa do dirigente. Mais um indício de que o fim está próximo.
Graças a Jennings
Caso a saída de Ricardo Teixeira seja realmente confirmada, poucas pessoas poderão bater no peito e dizer que colaboraram tanto para a queda do dirigente quanto o jornalista escocês Andrew Jennings.
Repórter investigativo da rede BBC, Jennings, que foi entrevistado por O POVO na edição de 29/7/2011, trava há mais de dez anos uma batalha para divulgar denúncias que envolvam a Fifa e seus principais aliados - o que inclui, por exemplo, Ricardo Teixaira e João Havelange, ex-presidente da entidade máxima do futebol mundial.
Ano passado, o jornalista protagonizou um documentário que mostrava o envolvimento da Fifa, e de Ricardo Teixeira, em esquemas de corrupção e venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo. Jennings também mostrou que o presidente da CBF devolvera um dinheiro desviado para poder não ter seu nome divulgado numa investigação criminal realizada na Suíça.
Era o início de uma pressão que faria Ricardo Teixeira perder muita força. Em 2001, ele chegou a ser investigado na conhecida CPI da CBF/Nike, que tentou esclarecer acordos de patrocínio e comissões milionárias. Agora, 11 anos depois, veio o golpe de misericórdia. (BF)
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| Marin pode ser novo presidente |
Segundo o estatuto da CBF, caso haja renúncia do presidente, o vice-presidente mais velho entre os cinco existentes assume o cargo (Seção III, artigo 37 do Estatuto). Assim, José Maria Marin, de 79 anos, ex-governador, ex-deputado e ex-vereador de São Paulo seria o novo comandante da confederação.
Marin esteve na premiação da Copa São Paulo de Futebol Junior, em janeiro. Entregou as medalhas aos jogadores Corinthians, campeões do torneio. E enquanto conversava com um dos premiados, tratou de enfiar uma das medalhas no bolso. A imagem foi flagrada pelas câmeras da ESPN Brasil.
A sucessão com Marin faria valer o estatuto da CBF. Nos bastidores, no entanto, há uma disputa querendo mudar os rumos, caso Teixeira realmente peça para sair. Segundo Ricardo Perrone, do UOL, Andrés Sanchez, atual diretor de seleções da entidade, e Reinaldo Carneio Bastos, vice da Federação Paulista de Futebol (FPF) e responsável pela Série B na CBF, não querem Marin no poder.
As federações também não. Segundo fontes da entidade, o interesse da maioria é que Weber Magalhães, vice da CBF na região Centro-Oeste, assuma o comando. Weber é apontado como um dirigente mais acessível e quem circula bem nos corredores do Governo Federal.


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