sábado, 4 de fevereiro de 2012

O separatismo de São Paulo ressuscitado

No "Inter Ação"

Há muito se fala do sentimento separatista que permeia os sonhos da elite paulista desde tempos coloniais. No século passado esse sentimento ganhou espaço e consistência por ocasião da chamada Revolução de 1932.

O evento apresenta várias faces. Ora é apresentado (esta é a imagem oficial) como constitucionalista uma vez que teria se desenrolado com o intuito de implantação de um regime liberal num momento em que o país era governado por um governo provisório, encabeçado por Getúlio Vargas, produto do golpe que derrubara o presidente Washington Luís, em 1930. Para outros, o ocorrido nada mais foi que a tentativa fracassada das elites paulistas, particularmente os senhores do café, de recuperar o poder perdido em 1930.

Para muitos que apoiaram o movimento, no entanto a mobilização armada seria o momento favorável de encaminhar a separação de São Paulo do resto do país. Entre destacados membros da intelectualidade paulista, Monteiro Lobato foi um dos que defendiam o separatismo, como se observa no trecho abaixo do texto “A defesa da vitória de São Paulo”:

Após a vitória de São Paulo, na campanha ora empenhada, se faz mistér que seus dirigentes não se deixem embalar pelas ideias sentimentais de brasilidade, irmandade e outras sonoridades.[...] Ou São Paulo desarma a União e arma-se a si próprio, de modo a dirigir doravante a política nacional a seu talento e em seu proveito, ou separa-se.[...] Trata-se de uma guerra de independência disfarçada em guerra constitucionalista...”

Defensores ardorosos da causa foram também o historiador Alfredo Ellis Junior e o jurista, presidente do Tribunal de Justiça, Costa Manso. E ainda o não menos famoso escritor Mario de Andrade que se manifestou: No momento, eu faria tudo, daria tudo para São Paulo se separar do Brasil.

Hoje, esse sentimento sempre dormente nos sonhos e desejos de alguns paulistas, encontra campo fértil na administração tucana de Geraldo Alkmin e teve oportunidade de se manifestar nos recentes acontecimentos que envolveram a brutal reintegração de posse no Pinheirinho, em São José dos Campos.

É o que se pode perceber em trecho da decisão tomada pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori:

Autorizo (…) requisição ao Comando da Polícia Militar do Estado, para o imediato cumprimento da ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, repelindo-se qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal, somente passível de utilização quando de intervenção federal decretada nos termos do art. 36 da Constituição Federal e mediante requisição do Supremo Tribunal Federal, o que inexiste.

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