No "Guerrilheiro do Entardecer"
Via "Carta Capital"
Por Marcos Doniseti!
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As imposições feitas pela Troica (UE, BCE, FMI) ao povo grego, para que este tenha acesso a um novo empréstimo, que em nada irá resolver a situação de crise que o país enfrenta, são de uma brutalidade inacreditável.
Redução do salário mínimo, demissão de 150 mil funcionários públicos (estamos falando de um país com apenas 8 milhões de habitantes, hein!) são algumas das exigências absurdas impostas ao povo grego para que o país possa receber esse 'novo' empréstimo.
Nesse ritmo e com esse rumo, a UE irá transformar a Grécia em um campo de concentração de trabalho escravo. Aliás, não é à toa que essas exigências são, principalmente, feitas pela Alemanha, cujo governo é o que mais exige a adoção de medidas de austeridade como meio de superação da crise.
Essa postura é uma herança de décadas, séculos mesmo, da mentalidade autoritária e repressiva que vigora na Alemanha.
Aliás, a maneira brutal como os gregos e os povos em crise da Zona do Euro são tratados, atualmente, pela Alemanha mostra que Hitler e o Nazismo não foram um acidente de percurso, mas que souberam explorar aspectos que estão fortemente presentes na Alemanha e na cultura e na mentalidade do seu povo, ainda hoje.
A arrogância, a recusa em dialogar e em ouvir as demandas dos povos que sofrem com a crise, a imposição de exigências draconianas aos mesmos, mostram claramente que os alemães são virtualmente incapazes de levar adiante um projeto de integração europeia que respeite a soberania e os direitos de outros povos.
Com tais imposições, somente restaurando-se a escravidão será possível ao povo grego manter os pagamentos dessa dívida absurda em dia e, ao mesmo tempo, preservar um mínimo de dignidade e de honra, sem falar das suas condições de vida, que despencam ladeira abaixo, tanto que o PIB grego caiu 7% no quarto trimestre de 2011 e a taxa de desemprego já chegou a 21%.
Ao tratar a Grécia como se fosse um país africano ou asiático e não como um integrante da UE e da Zona do Euro, a Alemanha está destruindo com o processo de integração europeu, que é uma construção de várias décadas e que exigiu muitos recursos e energia de toda uma geração de europeus que sonhava em livrar a Europa das guerras e que via na unificação do continente o caminho para isso.
Afinal, que outro país irá querer adotar o Euro depois desse tratamento brutal que está sendo imposto ao povo grego? Só se for maluco, mesmo.
Outra coisa importante a se considerar é que o Euro é, de fato, moeda de país com economia forte, competitiva globalmente, o que nunca foi o caso da Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e, em parte, da Itália.
Esses mesmos banqueiros e seus defensores, hoje, reconhecem esse fato e apontam as vulnerabilidades e fraquezas da Grécia e dos outros países em crise, tais como a ineficiência, a baixa produtividade, enfim, a falta de competitividade das suas economias.
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Mas, se a economia da Grécia-Irlanda-Espanha-Portugal-Itália eram tão frágeis então porque esses mesmos banqueiros (principalmente os franceses e os alemães) emprestaram tanto dinheiro para os mesmos? E porque eles permitiram que tais países, que possuem economias de segunda e terceira divisão, como eles mesmos reconhecem, adotassem uma moeda de país de primeira divisão?
Afinal, ninguém obrigou os banqueiros e investidores a fazer aplicar o seu capital na Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália, não é mesmo?
Eles emprestaram toda essa fortuna (em torno de 2,5 trilhões de Euros) devido à sua ganância ilimitada, é claro. Tais banqueiros e especuladores viam na Grécia e nos outros países europeus com economias frágeis apenas mais alguns mercados a serem devidamente explorados e não Nações, com povo, instituições, leis e governo.
Assim, os banqueiros e o sistema financeiro que aguentem com as consequências do que fizeram, oras!
No fim das contas, tudo isso aconteceu porque o Neoliberalismo trata os países apenas como se fossem meros mercados e seus povos como reles consumidores.
E povos e nações são bem mais do que isso.
É claro que com uma visão tão pobre, medíocre e estreita de mundo como é a do Neoliberalismo, isso não podia dar certo, mesmo.
Como, aliás, não deu.


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