quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Marco Prisco é preso no 10º dia de greve da PM

No Jornal "A Tarde"
Da Redação, Franco Adailton e Luana Rocha

O presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares (Aspra), Marco Prisco, foi preso nesta quinta-feira (9), décimo dia de greve, após se render. Prisco e outro líder da greve dos policiais militares, Antônio Paulo Angelino, saíram pelo fundo da Assembleia Legislativa da Bahia, de acordo com o tenente-coronel Márcio Cunha, chefe de comunicação da 6ª Região do Exército.

De acordo com um dos advogados dos manifestantes, Rogério Andrade, Prisco teria pedido uma saída discreta, evitando sair pela porta da frente da Assembleia, por onde os demais manifestantes deixaram o local.

Os dois presos são levados para a sede da Polícia do Exército (PE), que fica no Imbuí. Após a desocupação da Assembleia, homens do Exército e da Polícia Federal fazem uma varredura no prédio do Parlamento.

O tenente-coronel disse que os outros 8 dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça serão cumpridos.

Desocupação - A movimentação de rendição começou nesta madrugada, quando cinco manifestantes deixaram o acampamento.

Por volta de 1 hora, advogados chegaram ao local para negociar a entrega do presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares (Aspra), Marco Prisco, que tem mandado de prisão em seu nome.

Rogério Andrade, Prisco decidiu se entregar por conta da "inflexibilidade do governo para negociar" e com o objetivo de evitar um conflito armado. Andrade explica que a rendição inviabiliza a continuidade da greve. "Na teoria o movimento acabou, porque o comando é retirado do movimento, que está fragilizado", explica.

A desocupação começou por volta de 6h25, com a saída de mulheres e homens da Assembleia. Os manifestantes passam por um cordão de isolamento formado por homens do Exército e em seguida passam por revista feita por policiais federais, onde é verificado se eles têm mandado de prisão em seus nomes.

Os grevistas saem em pequenos grupos. Entre 250 e 300 pessoas estavam no Parlamento.

Gravações comprometem chefe de motim na PM

Escutas telefônicas realizadas pela Secretaria da Segura Pública da Bahia (SSP-BA), com autorização da Justiça, apontam que o principal chefe da greve da PM, o ex-soldado Marco Prisco, incitou ações de vandalismo durante a paralisação dos policiais. As conversas mostram, ainda, a intenção de expansão do movimento para o Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados.

De acordo com as gravações, o grupo também planejava uma greve conjunta para inviabilizar o Carnaval na Bahia e no Rio, com a possibilidade de chegar a São Paulo. As escutas são parte das investigações da SSP-BA sobre possíveis ilegalidades cometidas pelos policiais militares durante a paralisação. O titular da SSP-BA, Maurício Teles Barbosa, afirmou ao A TARDE que há outras gravações em que Prisco incitaria mais atitudes violentas: “A nossa intenção é mostrar que existem outros interesses por trás da manifestação”.

Em gravação do último dia 5, Prisco convoca o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia (Aspojer), David Salomão, e a Companhia de Ações Especiais No Sudoeste e Gerais (Caesg). Em resposta, Salomão promete queimar veículos.

Assista ao vídeo em que aparece o telefonema de Prisco:


“Incompleta” - Também ouvido pela equipe de reportagem, Marco Prisco alegou que a gravação divulgada estaria “incompleta”, e que ele teria, em uma nova ligação para Salomão, recomendado “que ele ficasse calmo e permanecesse no quartel. Eu só pedi para ele vir para cá. Isso está claro. A gravação não dá prosseguimento”.

Segundo ele, “quando falo em fechar a BR é para fechar com ônibus”. Prisco negou que estivesse participando de um amplo movimento para a aprovação da PEC 300, que cria um piso nacional para policiais e bombeiros militares. “Todo mundo sabe que sou favorável à PEC 102. Não tenho nada a ver com a articulação”, afirmou. A PEC 102 prevê a criação de uma polícia única no Brasil.

Políticos - Segundo nota no site da revista Veja, o deputado federal Anthony Garotinho (PR) estaria incentivando o cabo Daciolo, da PM carioca, a entrar em greve no Rio. Por meio de um blog pessoal, Garotinho negou. Outro nome citado pelo site é o da deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ).

SSP registra 137 mortes em Salvador e RMS durante greve

Desde o início da greve parcial da PM, há 10 dias, o número de homicídios em Salvador e Região Metropolitana (RMS) chegou a 137, segundo informação da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP). Foram registrados, nesta quarta, 08, até às 22h, sete homicídios, o último em Itinga.

O dia mais violento foi na sexta, dia 3, quando 32 pessoas foram mortas. Na terça, 11 foram assassinados. Durante a paralisação da PM, a Polícia Civil prioriza as investigações de 38 homicídios que apresentam indícios de extermínio como as mortes de cinco moradores de rua, no Imbuí, e o assassinato de uma mulher, na Piedade.

Segundo a polícia, as mortes por extermínio são as principais responsáveis pela elevação do número de homicídios, nos últimos dias. Esses crimes são motivados pela ação de seguranças clandestinos, que matam autores de pequenos furtos e roubos em comércios e casas, além de rixas do tráfico.

Segundo a Superintendência de Telecomunicações das Polícias Civil e Militar (Stelecom), um homem, com identidade ignorada, foi encontrado morto em Jaguaripe, por volta das 8h. O corpo da vítima tinha perfurações à bala.

Madrugada - Na madrugada, uma jovem foi baleada na Av. Barros Reis, por volta das 3h. Iris Patrícia dos Santos, 19, deu entrada no HGE, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Mais cedo, um homem com identidade ignorada foi assassinado no bairro da Ribeira. O corpo foi encontrado, por volta da 3 h, com perfurações a bala na Tv. Capitão Eugênio. A Stelecom registrou ainda sete assaltos a ônibus coletivo. O órgão registrou 36 carros roubados e 6 furtados no boletim das últimas 24 horas.

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