domingo, 5 de fevereiro de 2012

FHC recua e paparica Serra. “Tá gagá”?

No "Blog do Miro"
Altamiro Borges

No final de janeiro, numa entrevista ao blog da revista britânica The Economist, FHC deu declarações bombásticas sobre a disputa “muito dura” no PSDB para definir o candidato da legenda para as eleições presidenciais de 2014. Ele explicitou seu apoio ao senador mineiro Aécio Neves, descartou como bagaço o ex-governador José Serra e o responsabilizou pela terceira derrota seguida dos tucanos em 2010.

Irritado, o vingativo Serra reagiu de imediato. Confidenciou a um amigo íntimo que FHC “tá gagá”, segundo revelou o jornalista Jorge Moreno, em seu blog na página do jornal O Globo. O ninho tucano pegou fogo de vez, com bicadas sangrentas para todos os lados. Chegou-se até a se especular que José Serra abandonaria o PSDB, migrando para o decadente PPS de Roberto Freire. Seria seu fim de carreira!

Tentativa de reanimar a oposição

Agora, porém, FHC dá sinais de recuo e tenta acalmar o galinheiro – ou melhor, o ninho. Em artigo publicado hoje, o ex-presidente acaricia o eterno derrotado tucano e concentra a sua artilharia contra o governo Dilma. O “mentor intelectual” do PSDB parece preocupado com a falta de rumo do partido e procura evitar ainda maiores estragos. Escreve para conter a sangria desatada!

Logo na abertura do texto “Crer e perseverar”, ele tenta reanimar a cabisbaixa oposição de direita no Brasil. “Nos países bem-afortunados, ainda que cheios de ‘malfeitos’, não há voz que ressoe contra os governos... Fazer oposição tornou-se um ato de contrição”. Mas ele insiste que, apesar de difícil, este deve ser o caminho, unindo o bloco neoliberal e radicalizando o discurso contra o governo.

“O mais conhecido e denso”

Fingindo otimismo, ele garante que “não faltam candidatos” à oposição. “O mais conhecido e denso, José Serra, amadurecido por êxitos e derrotas, não conseguiu deixar clara em 2010 a sua mensagem, embora tenha obtido 44% dos votos... Outro, mais óbvio provável candidato, graças à posição eleitoral em seu Estado e ao seu estilo de fazer política, Aécio Neves, está em fase de teste”.

Da entrevista ao artigo, o recuo de FHC é óbvio. Agora ele bajula os dois pré-candidatos tucanos. Será que ele ficou com medo das ameaças de Serra? Ou será que ficou “gagá”, como alfinetou o seu vingativo ex-ministro? Seja qual for a resposta, uma coisa é certa. O ex-presidente está disposto a endurecer nas críticas à presidenta Dilma Rousseff, apesar dela lhe dispensar tanta cortesia.

“Falar com força e veemência”

A receita que prescreve ao PSDB é explícita. Para ele, a oposição deve “falar à sociedade, com força e veemência, tudo o que se sente, inclusive a indignação pela corrupção, pela incompetência administrativa e, sobretudo, pelo escândalo de uma sociedade que se faz mais rica com um governo que distribui muito pouco e faz propaganda do que não concretizou inteiramente”.

Egocêntrico, FHC se jacta que foi graças ao discurso ousado que “eu ganhei duas eleições no primeiro turno contra Lula”. Para ele, o PSDB deve manifestar a “disposição de correr riscos e de sair da armadilha da briga partidário-eleitoral para entrar na grande cena da opinião pública”, para derrotar o que o príncipe da Sorbonne rotula de “lulopetismo”. A turma do Planalto deveria ficar mais atenta!

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