Um europeu segura a mão de uma figura miserável do euro e bate à porta chinesa que parece um cofre. Esta caricatura publicada recentemente na imprensa chinesa é a ilustração exata da cimeira China-UE marcada para 14 de fevereiro em Beijing. Uma das principais questões sobre esse encontro é se os europeus conseguirão acesso às reservas monetárias chinesas para salvar a economia da União Europeia.
No "Voz da Rússia"
Os funcionários europeus estão voando para Beijing nas asas da esperança. Na última cimeira da UE foi criado um fundo permanente de estabilização. No entanto, os fundos de salvação estão meio vazios, por isso a Europa vai tentar convencer a China a enchê-los. Até agora, Beijing não praticava filantropia política, exigindo retribuição de seus parceiros europeus. Em particular, a China quer que a UE lhe conceda o estatuto completo de economia de mercado, e também levante o embargo às exportações de armas para a China. O especialista do Instituto da Europa da Academia de ciências russa Vladislav Belov não espera que no decorrer da cimeira esta terça-feira a China concorde em comprar uma grande parte de dívidas da zona do euro:
"Haverá exigências, reclamações e queixas recíprocas. Hoje, a China tem uma posição mais forte do que os parceiros da UE. Em março, a zona do euro verá a reação dos mercados à emissão de títulos governamentais para cobrir dívidas. Até então, a China poderá confortavelmente continuar o confronto com a UE e o resto do mundo em relação ao curso de câmbio do yuan, à proteção de seus mercados, e aos preços de seus produtos e serviços. Os europeus não têm esse tempo. Sabendo disso, os chineses, provavelmente, escaparão com apenas promessas. Enquanto a médio prazo a China vai designar recursos, vai ser muito difícil para os europeus conseguir isso sem concessões".
Por enquanto, a China insiste em se recusar a comprar dívidas da Europa. Mas Beijing suporta os mercados europeus, investindo seu dinheiro em economia real em vez de títulos. Empresas e fundos chineses aumentaram dramaticamente seus investimentos na Europa. Eles estão comprando ações de empresas de serviços públicos, instalações de geração de energia, e até mesmo estaleiros que constroem iates de luxo. O objetivo é ganhar dinheiro na aquisição de ativos desvalorizados e aumentar sua presença no exterior. Entretanto, o fundo soberano da China pretende reduzir a quantidade de títulos governamentais norte-americanos em seu portfólio.
A maior preocupação da Europa é que Beijing poderia ganhar demasiada influência sobre os países em crise. Recentemente, no entanto, o premiê chinês Wen Jiabao assegurou os parceiros europeus, dizendo que a China não tem capacidade nem desejo de, como ele disse, “comprar toda a Europa.” Mas esse seu anúncio foi imediatamente seguido pela notícia da compra de 25 por cento das ações das Redes Energéticas Nacionais de Portugal por quase 400 milhões de euros. Os funcionários de Bruxelas certamente levantarão a questão da expansão financeira chinesa durante a cimeira China-UE. Só não está claro como, depois disso, eles vão pedir à China para comprar títulos de dívida dos países afetados pela crise.

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