Em "Caros Amigos"
Thiago Barrozo
Barack Obama chegou à Califórnia, na quarta-feira (15), recebido como rei. Ainda no aeroporto internacional de Los Angeles, o presidente norte-americano foi recepcionado por dezenas de simpatizantes. Alguns acenavam, outros gritavam seu nome. Quase todos tiravam fotos. Sorridente, ele fez questão de dar trabalho aos seguranças, caminhar até o grupo e cumprimentar as pessoas que estavam mais próximas. Na mídia americana, imagens da triunfante chegada ganharam primeira página e destaque no horário nobre. Apesar do alvoroço, a popularidade de Obama segue na faixa dos 50%, segundo pesquisa CNN/ORC International Poll divulgada na quarta (15), pouco melhor devido à tímida recuperação da economia. A Califórnia é historicamente um reduto democrata e recepção como esta jamais seria vista no Texas, por exemplo.
Mão no bolso
A visita do presidente à Costa Oeste abriu uma breve maratona de jantares e encontros sociais, onde ele espera arrecadar fundos para sua campanha à reeleição. A meta é atingir a casa dos 8 milhões de dólares até esta sexta-feira (17). O primeiro grande evento aconteceu na mansão de um conhecido produtor de Hollywood e contou com a apresentação da banda de rock Foo Fighters e aproximadamente mil pessoas. Mais tarde, em um jantar reservado para cerca de 80 convidados, Obama sentou-se à mesa com outros hollywoodianos, incluindo os atores George Clooney e Jim Belushi. O preço do menu: US$ 35.800 por cabeça (cerca de R$ 61 mil).
De acordo com o website OpenSecrets.org, que investiga a origem do dinheiro destinado a campanhas eleitorais, a Califórnia é o estado que mais ajudou a engordar os cofres do comitê político de Obama. De lá, também vem dois dos principais grupos de apoio aos democratas: a indústria de entretenimento e a indústria de tecnologia. A dor de cabeça do presidente começa aí.
Sopa, Pipa, Acta
Desde que o congresso norte-americano decidiu adiar sua decisão sobre a polêmica lei anti-pirataria na internet, Hollywood e Silicon Valley estão em lados opostos do ringue.
Gravadoras e estúdios de cinema cobram uma política agressiva contra a pirataria virtual e a proteção de direitos autorais, propriedade intelectual e royalties. Enquanto companhias de internet, como Google, Facebook e Twitter, veem a medida como tentativa de censura e ataque à liberdade de expressão. A Casa Branca manteve-se neutra até então, mas a pressão para que o presidente tome partido na disputa vem crescendo. Os grupos envolvidos querem ter certeza de que não estão ajudando um candidato que pode vir a prejudicá-los no futuro.
Embate
A organização não governamental Media Access Project, que apoia a liberdade de expressão e o fluxo livre de informações, deixou claro que vai continuar combatendo o projeto de lei no congresso até que ele sofra “revisões substanciais”. O ânimo para levar o embate adiante também vem do outro lado. A Motion Picture Association of America, que representa a indústria cinematográfica, deixou transparecer que alguns de seus membros “estão descontentes” com a apatia de Obama.
O presidente norte-americano encontra-se no meio de um fogo amigo e cruzado. Se escolher um grupo, perde apoio do outro. Se continuar calado, pode ficar sem ninguém. Como todo bom brasileiro sabe, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Thiago Barrozo é jornalista e vive em Nova York, onde produz o programa investigativo “The Five O’Clock Shadow” para a rádio WBAI FM e autor do blog titiosam.blogspot.com

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