No processo, Ernesto Nascimento pede validação do diploma obtido em Cuba e indenização. Situação similar foi vivida por Ricardo Martins Rabelo, filho de um jornalista, com quem viveu no Chile e na França.
No Jornal "O Povo"
Com agências de notícias
Em 1970, com apenas dois anos de idade, Ernesto Carlos Dias Nascimento foi banido do Brasil, acusado de ser “terrorista” e “subversivo” pelas forças de segurança do regime militar. Durante 16 anos ele viveu longe do País, acompanhando a avó, Tercina Dias de Oliveira, militante de esquerda perseguida pela ditadura. Assim como Ernesto, diversas crianças da época alegam ter sido punidas apenas pelo fato de serem filhos e netos de presos e perseguidos políticos. Os casos dessas crianças começaram a ser julgados ontem pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em sessão especial dedicada a 24 processos similares.
“Fui banido do meu País por decreto presidencial, aos dois anos, após ser documentadamente acusado de terrorista e subversivo. Vivi fora entre 1970 e 1986 e, mesmo depois de retornar ao Brasil, sofri diversos tipos de preconceito por ter estudado em um país com o qual o Brasil (na época) não mantinha relações diplomáticas (Cuba). Para conseguir emprego, tive de perder o sotaque e mentir, dizendo que havia estudado em Pernambuco”, disse Nascimento.
Na ação, ele pede a validação do diploma de técnico em projetos mecânicos e ferramentas, obtido quando morava em Havana, além de indenização. “Nós, que passamos por essa situação, sabemos o quão grande são as dificuldades vividas por diversos profissionais vindos de Cuba”, acrescentou.
Situação similar foi vivida por Ricardo Martins Rabelo, filho do jornalista José Maria Rabelo, preso e exilado após conflitos com um general à época em que trabalhava no jornal Binômio, de Belo Horizonte. “Só fui aprender o hino brasileiro aos 16 anos”, disse ao lembrar dos problemas que ele, os seis irmãos e os pais enfrentaram para viver fora do Brasil, no Chile e na França. A expectativa do Ministério da Justiça é que a comissão conclua o mais tardar, hoje, o julgamento dos casos. Criada há 10 anos, a Comissão já julgou cerca de 60 mil processos.

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