sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

DITADURA-Garoto de dois anos de idade foi banido como terrorista

No processo, Ernesto Nascimento pede validação do diploma obtido em Cuba e indenização. Situação similar foi vivida por Ricardo Martins Rabelo, filho de um jornalista, com quem viveu no Chile e na França.

No Jornal "O Povo"
Com agências de notícias

Ernesto mostra foto em que ele aparece ainda bebê
Em 1970, com apenas dois anos de idade, Ernesto Carlos Dias Nascimento foi banido do Brasil, acusado de ser “terrorista” e “subversivo” pelas forças de segurança do regime militar. Durante 16 anos ele viveu longe do País, acompanhando a avó, Tercina Dias de Oliveira, militante de esquerda perseguida pela ditadura. Assim como Ernesto, diversas crianças da época alegam ter sido punidas apenas pelo fato de serem filhos e netos de presos e perseguidos políticos. Os casos dessas crianças começaram a ser julgados ontem pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em sessão especial dedicada a 24 processos similares.

“Fui banido do meu País por decreto presidencial, aos dois anos, após ser documentadamente acusado de terrorista e subversivo. Vivi fora entre 1970 e 1986 e, mesmo depois de retornar ao Brasil, sofri diversos tipos de preconceito por ter estudado em um país com o qual o Brasil (na época) não mantinha relações diplomáticas (Cuba). Para conseguir emprego, tive de perder o sotaque e mentir, dizendo que havia estudado em Pernambuco”, disse Nascimento.
Na ação, ele pede a validação do diploma de técnico em projetos mecânicos e ferramentas, obtido quando morava em Havana, além de indenização. “Nós, que passamos por essa situação, sabemos o quão grande são as dificuldades vividas por diversos profissionais vindos de Cuba”, acrescentou.

Situação similar foi vivida por Ricardo Martins Rabelo, filho do jornalista José Maria Rabelo, preso e exilado após conflitos com um general à época em que trabalhava no jornal Binômio, de Belo Horizonte. “Só fui aprender o hino brasileiro aos 16 anos”, disse ao lembrar dos problemas que ele, os seis irmãos e os pais enfrentaram para viver fora do Brasil, no Chile e na França. A expectativa do Ministério da Justiça é que a comissão conclua o mais tardar, hoje, o julgamento dos casos. Criada há 10 anos, a Comissão já julgou cerca de 60 mil processos.

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