quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Carvalho: Há um “silêncio cúmplice” em relação à Guantânamo

Ao comentar as declarações feitas pela presidente Dilma Rousseff esta semana durante visita a Cuba, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, avaliou nesta quinta-feira (2) que a questão dos direitos humanos é de tamanha importância e nobreza que não pode se prestar a ser um “mero ataque diversionista” para atingir um governo.

No "Vermelho"
Via "Agência Brasil"

“As pessoas estão um pouco habituadas a um comportamento que já se teve na história e muito inadequado de você chegar a um país como visitante e ditar regras para aquele visitado. Isso é um comportamento imperial que não deve caber ao Brasil e a presidenta Dilma jamais faria isso”, disse. “Seria adequado que ela fizesse alguma crítica a Cuba, se for o caso, aqui no Brasil, não lá no país que ela está visitando”, completou.

Ao participar do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência, Carvalho disse ainda que há um “silêncio cúmplice” em relação à prisão da base norte-americana na Baía de Guantânamo.

“A presidenta citou Guantánamo porque é bom lembrar que há um grande enfoque da questão de direitos humanos apenas em países como Cuba e ela fez questão de lembrar que, na própria ilha, há um pedaço do território que não pertence a Cuba e pertence aos Estados Unidos, onde a violação dos direitos humanos é histórica.”

Ele afirma que a intenção de Dilma não foi a de se omitir em relação às violações registradas em Guantánamo, mas defender uma postura mais séria na discussão sobre os direitos humanos. “Ou se faz isso de maneira séria em todo o mundo, com a autocrítica necessária em cada um dos países, ou isso serve apenas para fazer um ataque político a este ou àquele país”, concluiu.

Negromonte

Ao comentar a possível saída do ministro das Cidades, Mário Negromonte, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse que mudanças nas pastas são naturais.

“Fomos informados [da possibilidade de entrega da carta de demissão] apenas pela imprensa. O ministro não entrou em contato conosco. Pode ser que hoje ele entre. De todo modo, entendemos que é natural que haja mudanças nos ministérios”, disse.

"A presidenta não adiantou, para nenhum de nós, qual a sua intenção sobre eventuais mudanças. Ela tem feito muita questão de manter essa questão da mudança ministerial aos cuidados dela própria, portanto, não nos é cabido fazer novas especulações sobre o que vem pela frente – salvo essa questão já pública do ministro Mário Negromonte", completou.

Carvalho disse ainda que a substituição do ministro, quando confirmada, deverá seguir critérios técnicos aliados a escolhas políticas. "A presidenta tem primado por um rigor muito grande na escolha de seus auxiliares. É evidente que o critério técnico é uma questão fundamental e necessária, o que não significa que exclua o critério político.”

O ministro reforçou que o PP não é tido pelo governo como um partido qualquer, de apoio acidental, mas um parceiro de grande respeito. “É muitíssimo provável que ele continue integrando o ministério da presidenta. Se vai continuar no Ministério das Cidades, não posso adiantar e insisto: essa é uma competência exclusiva da presidenta, mas não está em discussão, de maneira alguma, a nossa relação com o PP.”

Já sobre a relação do governo com o PDT, após a saída do ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, Carvalho disse que o partido é um aliado histórico e que tem um grande valor por seu enraizamento social. “[O assunto] será tratado com todo o respeito. A indicação será da presidenta sempre em consulta com o partido”, disse. Depois da saída de Lupi, assumiu o comando da pasta o secretário executivo, Paulo Roberto Pinto.

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