No "Correio do Brasil"
Fundador do sítio WikiLeaks, Julian Assange enfrenta seu último julgamento na Inglaterra, a um passo da extradição para a Suécia, onde é acusado de abuso sexual de duas colaboradoras. Após a derrota no tribunal de apelações do argumento usado por sua defesa quanto a ser inválido o tratado de deportação, Assange apelou à Suprema Corte britânica para evitar a deportação, com chances mínimas de uma vitória.
Assange é acusado de estupro, abuso sexual e coerção contra duas adolescentes, em uma visita a Estocolmo em agosto de 2010, o que ele nega. Nos dois dias em que terá para avaliar o caso, o tribunal dificilmente terá detalhes concretos sobre as acusações, mas julgará a validade do pedido de prisão preventiva feito por um promotor sueco baseada na legislação europeia.
A defesa de Assange argumenta que a requisição não é válida e argumenta que o sistema do país nórdico é injusto por permitir que a decisão de prisão seja tomada pela mesma pessoa que investiga o crime. Segundo o diário inglês The Guardian, um grupo de 12 juízes estudará o caso “considerando a grande importância pública que o crime carrega”, de acordo com comunicado da corte. A decisão sobre a extradição é esperada para as próximas semanas.
Pedido
Em dezembro, a Suprema Corte britânica considerou procedente o pedido do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de formular uma nova apelação contra sua extradição à Suécia. A Corte, a mais alta instância judicial do país, indicou em um comunicado “ter estudado um pedido de Julian Assange de fazer uma apelação. Foi dado a ele o direito de apelar, e a audiência será de dois dias”. O novo recurso constitui o último desenrolar de uma longa novela que já dura mais de um ano.
Preso em dezembro de 2010 em Londres após um mandato europeu de prisão, Assange, um australiano de 40 anos, foi libertado dias depois de sua detenção com a condição de que permanecesse em um domicílio fixo em uma zona semirrural na Inglaterra, na casa de um amigo. No dia 24 de fevereiro de 2011, a Justiça britânica validou o pedido de extradição da Suécia, uma decisão confirmada na Alta Corte em novembro.
No entanto, em dezembro a Alta Corte de Londres admitiu que Assange apresentasse perante a Suprema Corte uma questão “de interesse geral” relativa ao procedimento de extradição. Caso seu pedido fosse negado, deveria ser extraditado à Suécia em um prazo de dez dias. Desde o início do caso, Assange nega terminantemente as acusações de relações sexuais não consentidas e se declara vítima de um complô político fomentado pelos Estados Unidos.
Segundo Assange, o governo de Washington age desta forma em represália pela publicação no site WikiLeaks de milhares de documentos militares sobre o Iraque e o Afeganistão e telegramas diplomáticos norte-americanos. Caso seja deportado para a Suécia, seu paradeiro poderá ser a prisão de Guantánamo, caso os EUA demandem a sua prisão, com base no tratado de extradição que mantém com aquele país nórdico.

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