terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Amianto: enquanto Brasil tolera extração e uso, Itália condena ex-proprietários da Eternit a 16 anos de prisão

O amianto foi banido em grande parte do mundo mas, no Brasil, a força do capital ainda fala mais alto e o uso do mineral ainda é permitido, a despeito das mortes que ele causa.

No "O Recôncavo"
Por Charles Carmo

O ex-deputado estadual e atual presidente do Tribunal de Contas da Bahia, Zilton Rocha, é autor de um projeto de lei que buscava banir o uso do amianto no Estado da Bahia, projeto que nunca foi aprovado.

Quando deputado, o atual conselheiro chegou a produzir um vídeo documentário denunciando o caso. Com o título “Amianto, desinformação mata”, o vídeo foi exibido em diversas cidades da Bahia e seu título nomeia hoje uma campanha de esclarecimento sobre os riscos do uso do amianto e a situação dos trabalhadores expostos ao mineral.

Na Bahia o amianto fez e faz milhares de vítimas em um massacre silencioso. Na região Sudoeste, na cidade de Poções, a primeira mina de amianto do país, hoje abandonada, é um caso de estudo de cientistas de diversas partes do mundo.

Instalada em 1937 pela S.A. Mineração de Amianto – SAMA, esta mina, hoje inativa, contamina toda a área, aonde é possível ver crianças brincando com o mineral e animais pastando em locais contaminados.

A situação é tão grave que casas foram construídas com as pedras do mineral e até estradas já foram pavimentadas com o cancerígeno elemento.

A fábrica da Eternit em Simões Filho também é alvo de várias denuncias de contaminação de seus trabalhadores.

O problema é que os sintomas do câncer causado pelo amianto demoram a aparecer. Não raro os sintomas da “asbestose”, câncer relacionado à contaminação com o amianto ou “asbesto”, só aparecem depois de 20 anos.

Enquanto a Bahia e o Brasil toleram o uso do amianto, a Itália acaba de condenar a 16 anos de prisão os ex-proprietários da Eternit, o barão belga Louis de Cartier de Marchienne e o magnata suíço Stephan Schmidheiny.

Barões do amianto condenados a 16 anos de prisão na Itália

No "Vi O MUndo"
Por Conceição Lemes

Sala do Palácio de Justiça de Turim lotada para ouvir a decisão histórica contra os ex-proprietários da Eternit

Os procuradores de Justiça da Itália acabam de anunciar em Turim a condenação a 16 anos de prisão dos ex-proprietários da Eternit, o barão belga Louis de Cartier de Marchienne e o magnata suíço Stephan Schmidheiny. É o maior processo criminal de todos os tempos por danos a trabalhadores e ao meio ambiente. O processo diz respeito à morte de 2.500 trabalhadores, vítimas do cancerígeno amianto.

A engenheira Fernanda Giannasi, o maior símbolo da luta contra o amianto no Brasil, está em Turim, no Palácio da Justiça, acompanhando a leitura da decisão histórica:

“Há uma hora em pé estamos ouvindo o nome dos mortos pelo amianto na Itália e a condenação de indenizar toda esta população sofrida e heróica 30 anos de espera. Estou na sala principal em lágrimas. Para a Prefeitura de Casale Monferrato, 25 milhões de euros”.

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